A mamografia tem idade para terminar? Essa dúvida pode aparecer depois dos 60, dos 70 ou quando as consultas ficam mais espaçadas. Há quem se sinta bem e não saiba se precisa continuar fazendo exames. Há também quem receba orientações diferentes e queira entender qual delas se aplica ao seu caso.
Neste Outubro Rosa, a AEAMG reuniu informações para ajudar nessa conversa. Duas mudanças merecem atenção: o rastreamento de rotina no SUS passou a incluir mulheres até os 74 anos, e a cobertura da mamografia digital pelos planos de saúde foi ampliada neste mês.
Para as aposentadas e pensionistas, conhecer essas orientações ajuda a organizar o acompanhamento e a levar dúvidas à consulta. O cuidado com as mamas continua fazendo parte da saúde da mulher, mesmo depois da menopausa.
Por que esse assunto continua presente com o passar dos anos
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a idade está entre os fatores que aumentam o risco de câncer de mama, sobretudo a partir dos 50 anos. Isso não significa que uma mulher terá a doença por envelhecer. Significa que o acompanhamento merece continuidade.
Também é possível desenvolver câncer de mama sem casos conhecidos na família. O histórico familiar ajuda o médico a avaliar o risco, mas sua ausência não dispensa os cuidados indicados.
Para cada ano de 2026 a 2028, o INCA estima 78.610 novos casos de câncer de mama no Brasil. É uma estimativa nacional, não uma previsão sobre a saúde de cada mulher.
Mamografia depois dos 70 merece conversa
A mamografia é uma radiografia das mamas e pode revelar alterações antes que sejam percebidas ao toque. Quando é feita em pessoas sem sinais ou sintomas suspeitos, recebe o nome de rastreamento.
Desde setembro de 2025, a orientação do Ministério da Saúde para o rastreamento populacional no SUS é realizar mamografia a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos. Antes, essa recomendação ia até os 69. Portanto, completar 70 anos não é motivo para interromper automaticamente o exame de rotina.
A partir dos 75, a indicação deve ser discutida individualmente, considerando a saúde geral, os possíveis benefícios e riscos do exame e as preferências da mulher. O SUS também permite o acesso sob demanda fora da faixa prioritária, com orientação profissional. A idade, sozinha, não encerra o cuidado.
Talvez o seu médico tenha recomendado mamografia anual. Existem diferenças entre as diretrizes: CBR, Sociedade Brasileira de Mastologia e FEBRASGO recomendam o exame todos os anos dos 40 aos 74, com avaliação individual após essa idade. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica mantém essa orientação em suas diretrizes de 2026.
Se você já tem uma programação de exames, converse com quem acompanha sua saúde antes de mudar o intervalo. Quem teve câncer de mama ou apresenta risco elevado também precisa de um plano próprio de acompanhamento.
Uma novidade de outubro na cobertura dos planos
Desde 1º de outubro de 2026, a ANS retirou a restrição de idade e gênero para a cobertura obrigatória da mamografia digital, desde que haja indicação médica. Antes, essa cobertura específica estava prevista para mulheres entre 40 e 69 anos.
A mudança é relevante para quem já ultrapassou essa faixa. Ela amplia o acesso ao exame digital; a indicação e a frequência continuam dependendo da avaliação clínica. Para agendar, consulte os canais oficiais da sua operadora sobre a rede disponível e os procedimentos necessários.
Percebeu uma mudança nas mamas?
Os intervalos dos exames de rotina se aplicam a quem não apresenta sinais suspeitos. Quando surge uma alteração, é preciso procurar avaliação, mesmo que a última mamografia tenha sido recente.
Entre as mudanças que merecem atenção estão:
- Caroço novo na mama ou na axila, mesmo sem dor.
- Alteração no formato do mamilo, como passar a ficar voltado para dentro.
- Saída de líquido pelo mamilo sem apertar, principalmente se houver sangue.
- Pele com retração, vermelhidão persistente ou aparência de casca de laranja.
- Aumento ou mudança no formato da mama sem explicação conhecida.
Esses sinais precisam ser investigados, mas não significam, por si só, que exista um câncer. Procure um serviço de saúde assim que perceber uma mudança suspeita. Não espere sentir dor, chegar a data do próximo exame ou começar outro Outubro Rosa.
Conhecer o corpo ajuda a perceber mudanças
A orientação do INCA é observar as mamas em situações do dia a dia, como no banho ou ao trocar de roupa, quando você se sentir confortável. Não é necessário seguir uma técnica de autoexame nem marcar um dia fixo no calendário.
Essa atenção não substitui os exames indicados e a avaliação profissional. Nem toda alteração pode ser percebida pela própria mulher. Por isso, sentir-se bem e não encontrar um caroço não são motivos suficientes para abandonar o acompanhamento.
Se um exame vier alterado, peça que o resultado seja explicado e confirme o próximo passo. Pode ser necessário complementar a investigação. O diagnóstico de câncer não é definido apenas pela mamografia; a confirmação depende da análise de uma amostra de tecido, a biópsia, quando indicada.
O que cabe na rotina e na próxima consulta?
Praticar atividade física de acordo com suas condições, cuidar da alimentação e do peso com orientação e evitar bebidas alcoólicas são medidas que ajudam a reduzir o risco. É importante destacar que nenhum hábito oferece proteção total, e adoecer não é sinal de falta de cuidado.
Se você usa hormônios para tratar sintomas da menopausa, inclua esse assunto na consulta. O tipo de tratamento e o tempo de uso entram na avaliação do risco. A decisão de manter ou alterar a prescrição deve ser feita com o médico.
Antes do atendimento, vale separar os exames anteriores e anotar três perguntas:
- Qual é o intervalo de mamografia indicado para mim?
- Meu histórico pessoal ou familiar muda esse acompanhamento?
- Se aparecer alguma alteração, onde devo buscar atendimento?
Se o medo do resultado ou a dificuldade para agendar estiverem adiando o cuidado, fale sobre isso com a equipe de saúde. E, se desejar, convide alguém de sua confiança para acompanhar a consulta. Familiares e amigos podem ajudar com transporte, organização e companhia, respeitando suas escolhas.
Imagem sugerida 3 — Próxima ao encerramento: duas mulheres maduras organizando uma agenda ou conversando à mesa, com diversidade de tons de pele e idades. A imagem deve representar apoio, sem atribuir diagnóstico às pessoas retratadas. Texto alternativo sugerido: “Duas mulheres maduras conversam enquanto organizam uma agenda”.
Na AEAMG, queremos que essas informações ajudem você a participar das decisões sobre a própria saúde. Se o acompanhamento ficou para depois, retome essa conversa. Se está em dia, aproveite a próxima consulta para esclarecer o que se aplica ao seu caso. Ao final do atendimento, confirme quando retornar e como receber orientação se surgir alguma mudança.
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Conteúdo informativo, baseado em fontes oficiais e de sociedades médicas. A avaliação individual deve ser feita sempre por um profissional de saúde. Mantenha exames e visitas ao seu médico sempre regulares!