Sarau da Primavera reúne vozes e histórias de associados da AEAMG

Evento realizado na sede da Associação reuniu música, poesia e encontros entre participantes do Projeto Cantoria

Música, poesia, histórias e encontros marcaram o Sarau da Primavera, realizado pela AEAMG no dia 29 de setembro, em sua sede, em Belo Horizonte. Com o tema Árvore da Vida, o evento reuniu associados em apresentações musicais e participações espontâneas, sob a condução da professora Letícia Reiss, coordenadora do Projeto Cantoria.

Entre os participantes estava o associado José Paulo, conhecido como Zé Paulo, que veio de Ubá especialmente para o encontro. Depois de cerca de cinco anos participando online do Projeto Cantoria, ele finalmente encontrou pessoalmente a professora Letícia e colegas com quem já compartilhava a música.

“Tem pessoas aqui que eu só conhecia pelo vídeo”, contou. Aposentado da CAIXA desde 2017, Zé Paulo participa do Cantoria desde o início do projeto, na pandemia. Para ele, os encontros também ajudam a manter os laços construídos ao longo da vida profissional e a ampliar as amizades. “É uma forma de você manter aquele relacionamento, estender o relacionamento para além da CAIXA.”

Stael, de Itapecerica, e Maria Célia, de Ribeirão das Neves, também vieram a Belo Horizonte para participar do Sarau.

Então, acho que o nosso papel é esse, de fazer com que a gente acredite que a vida pode ser mais leve, pode ser mais alegre, pode ser mais colorida

Nara Mourão

A coragem de compartilhar a própria voz

Para Letícia, a tarde foi uma colheita do trabalho desenvolvido nos encontros semanais do Cantoria. É nessa convivência regular que os participantes escolhem suas canções e se preparam para interpretá-las, com ajustes de tonalidade e atenção à letra, ao ritmo e à forma de cantar. As aulas online também incluem práticas de respiração, meditação guiada e conversas sobre o repertório.

O preparo convive com o frio na barriga de se apresentar diante de outras pessoas. A professora descreve a experiência como “uma superação daquilo que, às vezes, você pensa que não dá conta”. O apoio dos colegas e da Associação, segundo ela, ajuda os participantes a enfrentar esse desafio. Um lema acompanha o grupo: “Antes feito que perfeito”.

A participação se estendeu a quem foi assistir. Houve quem compartilhasse uma história do cotidiano, recitasse poesia ou cantasse uma música que veio à memória. Letícia também destacou o silêncio atento de quem escutava e apoiava os colegas. “Eu senti que cada convidado participou à sua maneira”, relatou.

Letícia ressaltou ainda o suporte da AEAMG com a estrutura para integrar as apresentações presenciais e a participação on-line. A estrutura permite que o trabalho realizado a distância seja compartilhado em encontros como o sarau. Ao falar da continuidade do projeto, a professora destaca a importância de permanecer em grupo: “Porque assim a gente se fortalece”.

Uma árvore feita de nós e de histórias

A Árvore da Vida que integrou a ambientação do sarau foi criada em macramê pela associada e diretora Sociocultural da AEAMG, Nara Mourão. A ideia de utilizar a peça surgiu em uma reunião de preparação: quando Letícia apresentou o tema, Nara estava em um local onde havia uma árvore que ela própria tinha feito. Ao ver a obra, a professora se emocionou com a coincidência.

Nara começou a fazer macramê e crochê durante a pandemia. A árvore é construída com nós que, aos poucos, formam o desenho. “Uma peça nunca fica igual à outra”, explica.

Na relação entre a árvore e o Cantoria, Nara reconhece a conexão que se forma entre pessoas de cidades diferentes. “Mesmo de longe as pessoas se conectam, a música conecta as pessoas”, afirma. Para ela, a participação no projeto começa pela vontade de experimentar: “Não precisa ter a voz mais linda do mundo, não. É você se conectar com a música, se conectar com o mundo e se soltar, sentir à vontade para isso”.

Para Nara, os projetos da AEAMG podem ajudar os associados a descobrir atividades que lhes deem satisfação e tornem a rotina mais leve. Ela relaciona essas experiências ao estímulo à criatividade e à possibilidade de aliviar parte da pressão do cotidiano.

Os encontros semanais mantêm essa convivência ao longo do tempo. Entre o preparo das canções, a escuta e o incentivo dos colegas, os associados encontram oportunidades de participação e apoio em diferentes momentos da vida. Zé Paulo recomenda que cada pessoa se envolva em algo de que goste e que faça sentido para ela.

Nara resume o compromisso da Associação com esse trabalho: “Então, acho que o nosso papel é esse, de fazer com que a gente acredite que a vida pode ser mais leve, pode ser mais alegre, pode ser mais colorida”.

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