Antonio Carlos Estevam
Da Academia Ubaense de Letras
Aposentado CEF Ubá-JF – Associado da AEAMG – 74 anos

A Copa do Mundo de 1970 no México representou o marco definitivo da união entre o futebol e a tecnologia da transmissão em cores, transformando as salas dos poucos proprietários desses novos aparelhos em verdadeiras arquibancadas comunitárias
(Registro Histórico da Época: Um exemplo clássico da tecnologia que fascinou o mundo e transformou o modo de assistir futebol nos anos 70)
A Copa do Mundo de 1970, realizada no México, não ficou marcada apenas pelo futebol arte apresentado pela Seleção Brasileira de Pelé, Tostão, Jairzinho e Rivellino. Nos bastidores da comunicação, aquele mundial representou um divisor de águas tecnológico: a primeira transmissão ao vivo e via satélite em cores para o planeta. Para o público, ver o verde do gramado do Estádio Azteca e as icônicas camisas canarinho vibrando na tela rompeu de vez com a barreira cinzenta das transmissões em preto e branco.
No entanto, no início da década de 1970, os televisores coloridos eram artigos de altíssimo luxo, inacessíveis para a imensa maioria das famílias. Ter um aparelho desses em casa transformava o proprietário em uma espécie de celebridade local. Quando o juiz apitava o início do jogo, as salas de estar desses privilegiados mudavam de função social. Elas viravam arquibancadas públicas. Vizinhos de toda a rua, conhecidos e até amigos de amigos se espremiam em sofás, cadeiras trazidas de fora e tapetes para testemunhar o milagre da cor.
Essa experiência coletiva gerava uma sensação inédita de realismo. O tom vibrante dos uniformes e o calor da torcida mexicana cortavam a distância geográfica, fazendo com que as pessoas no Brasil se sentissem fisicamente presentes no estádio. A nitidez cromática aumentava a imersão na partida; cada detalhe do suor dos craques e do movimento da bola parecia real.
Mais do que celebrar o tricampeonato mundial, a Copa de 70 consagrou a televisão como o grande agregador social da época. O evento eternizou um ritual de hospitalidade e paixão nacional, provando que o futebol é, essencialmente, uma experiência para ser vivida e compartilhada em comunidade.
No caso dos meus familiares, ficamos agradecidos a Félix José da Silva e a simpática esposa Rilma Estevão Barros, cuja mãe, a tia Celina, era irmã de meu pai. O casal nos acolhia em seu pequeno estabelecimento comercial, onde nos juntávamos a outros igualmente recebidos com o mesmo objetivo. Ficou a eterna lembrança daqueles momentos tornados mais felizes do que seriam.




