Três copas na memória

Meu nome é Geovani, 68 anos, morador da cidade de Itutinga-MG. Trabalhei na Caixa de 1977 a 2012.

Tenho três lembranças marcantes de Copas do Mundo.

Copa de 1970

A primeira remonta à de 1970, no México; quando o Brasil conquistou o terceiro título, e a Taça Jules Rimet em definitivo.

Com 11 anos de idade, recém chegado da roça, nem tinha ideia do que era futebol, não entendia nada. Mas, com o clima de euforia, que foi tomando conta de todos, embarquei na onda.

Na rua onde morávamos, em apenas uma casa tinha TV. Então, a maioria da vizinhança se reunia ali para assistir aos jogos e torcer pelo Brasil.

E, no fim aquela alegria toda.

Copa de 1982

A segunda foi da Copa da Espanha, em 1982. Morava em Jacutinga. Como nossa TV ainda tinha imagens em preto e branco, acabamos assistindo aos jogos na casa da nossa vizinha Selma, que trabalhava no Bemge, e alguns colegas dela também eram convidados. Dentre eles tinha o Edmilson, um capítulo à parte. 

Aquela seleção, que encantou não só os brasileiros, mas o mundo todo; foi criando um sentimento de orgulho, de vitórias, e parecia que nada nos deteria.

Na minha cabeça não havia chances de derrota, principalmente depois da brilhante vitória sobre a Argentina, então Campeã do Mundo, que parecia ser nosso maior rival. Nem de longe imaginava resultado adverso diante da Itália, que não tinha ido muito bem na primeira fase. E só precisávamos do empate.

Até que veio o fatídico cinco de julho, e o desastre de Sarriá. Me lembro que as agências da Caixa abriram às 8hs, e fecharam às 11hs, já que o jogo teve início às 12hs. Naquele dia não teria mais expediente, pois passaríamos a tarde comemorando. Que decepção. Retornamos às 14h30, um silêncio mortal, nem uma palavra sobre o jogo, todo mundo quietinho, cada um no seu canto, fazendo o seu trabalho.

E o Edmilson? Em jogos anteriores, sempre que ele ia ao banheiro, o Brasil fazia um gol. Naquele dia, a todo momento alguém o mandava ir ao banheiro. Nos últimos dez minutos de jogo quase o trancamos lá, na expectativa de que a superstição funcionasse.

Copa de 1994

A terceira lembrança marcante foi a do Tetra, em 1994 nos Estados Unidos. As emoções começaram já em 1993, com a dramática classificação diante do Uruguai, com dois belos gols de Romário.

Durante o mundial o Brasil foi, jogo a jogo, conquistando a confiança dos torcedores, ganhando cinco jogos e empatando apenas dois.

Mas o que me vem à cabeça foi o que aconteceu logo após o pênalti perdido por Baggio. Eu ali, concentrado, prestando atenção a cada movimento. E quando Galvão Bueno, literalmente, berra “É tetra, é tetra”, olho de lado e vejo meu filho mais velho, de onze anos, com o rosto banhado em lágrimas, incapaz de vibrar ou dizer qualquer palavra, tamanha a emoção.

Entretanto, não se pode esquecer também dos dois gols de Ronaldo na final de 2002, contra a Alemanha, que em 2014 nos massacrou e humilhou, em pleno Mineirão.