No dia 30 de abril de abril de 2026, foi realizado, por videoconferência, o quinquagésimo-sétimo encontro do CLUBE DE LEITURA LER PARA TECER AEA-MG.
O livro discutido nesse encontro: VIOLETA
Autora: Isabel Allende
Sobre: VIOLETA
Isabel Allende traz sempre um leque de temas, situações, causas, dramas, conflitos familiares. Às vezes, com recorrências, como é o caso de Violeta.
Neste livro, temos uma saga familiar com 100 anos de narrativa, entre duas epidemias: a chamada Gripe Espanhola (foram os primeiros a declará-la, não a omitiram, embora estivesse bastante alastrada) e a epidemia do Coronavírus, com episódios também de negação.
Nessa narrativa, muitos episódios e personagens, mostrados de forma leve ou dramática, com humor, mesclando ficção e a luta por causas democráticas, pelo voto e direito femininos, pelo respeito à individualidade e à cidadania. Chile e toda a América Latina, capital e regiões afastadas, famílias constituídas e afetivas, vocações e paixões, erros e acertos, um mosaico e espelho da nossa constituição americana.
Uma leitura leve e surpreendente, que nos toma a atenção, mostrada em cartas para Camilo, personalidade destinatário e mistério aos poucos revelado, alvo de toda a narrativa.
A autora: Isabel Allende
Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942, em Lima, Peru). É uma das autoras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Filha de diplomata chileno, passou parte da infância fora do Chile e mais tarde viveu no exílio após o Golpe de Estado no Chile em 1973, que derrubou o governo de Salvador Allende (primo de seu pai).
Iniciou sua carreira como jornalista e tornou-se mundialmente conhecida com o romance A Casa dos Espíritos, obra marcada pelo realismo mágico e pela forte presença de memórias pessoais e históricas. Ao longo de sua carreira, publicou diversos livros de sucesso, como De Amor e de Sombra e Paula.
Seus escritos frequentemente abordam temas como exílio, identidade, política e a experiência feminina. Isabel Allende vive Há muitos anos nos Estados Unidos e escreve principalmente em espanhol, sendo traduzida para dezenas de idiomas.
Trechos do livro:
“José Antonio era o único que estava a par da verdade completa; os outros filhos, privados da mesada habitual, distribuíram-se pelas casas de primos e amigos, na tentativa de se manter à margem do escândalo do pai. As mulheres da família precisaram reduzir os gastos e despedir quase toda a criadagem, mas não tiveram noção da seriedade do desastre até depois do tiro. Também não tentaram averiguar; esse assunto, como tantos outros, não lhes dizia respeito; era um problema de homens.”p.58
“Os indígenas, pobres e discriminados pelo restante da população, viviam aqui e acolá em pequenas propriedades, com suas choças, uns poucos animais domésticos e hortas de batatas, milho e alguns outros vegetais. Pareceu-me uma existência miserável, até que os Rivas me mostraram que era uma maneira diferente de viver; tinham sua língua, sua religião, sua própria economia, não desejavam as coisas materiais que valorizávamos. Eram o povo originário desta terra; os forasteiros, com poucas exceções, eram usurpadores, ladrões, homens sem palavra de honra. Em Nahuel e outros povoados os indígenas estavam mais ou menos integrados ao restante da população, tinham casas de madeira, falavam espanhol e trabalhavam no que pudessem conseguir, mas a maioria vivia em comunidades rurais compostas por várias famílias, que os Rivas visitavam a cada ano. Apesar da desconfiança atávica em relação a quem chegasse de fora, ali éramos em recebidos, porque o ofício de professor era considerado nobre.”p.76
“Levei Susana engessada, debilitada e aterrorizada, e as duas crianças para minha casa, onde eram esperados por Etelvina. No trajeto tive tempo de refletir sobre minha própria história. Suportei durante anos os maus-tratos de Julián bravo sem dar a isso o nome de violência doméstica, e sim desculpando: foi um acidente; perdeu o controle porque e eu demais; fui eu que provoquei; está com pro lemas e descarregou em mim, mas não vai fazer de novo, garantiu, pediu perdão. Nada me ligava a ele, eu não precisava dele, era livre e me sustentava sozinha, e mesmo assim demorei anos para aca ar com aquele a uso. Medo? Sim, havia temor, mas também insegurança, dependência emocional, inércia e a regra do silêncio que me impedia de falar do que estava me acontecendo; isolei-me.”p.287
Os trechos acima foram copiados de: Isabel Allende. Violeta; Trad. Ivone Benedetti. 15ª. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2025
Comentários de alguns leitores do Clube de Leitura:
“Isabel Allende traz sempre um leque de temas, situações, causas, dramas, conflitos familiares. Às vezes, com recorrências, como é o caso de Violeta.
Neste livro, temos uma saga familiar com 100 anos de narrativa, entre duas epidemias: a chamada Gripe Espanhola (foram os primeiros a declará-la, não a omitiram, embora estivesse bastante alastrada) e a epidemia do Coronavírus, com episódios também de negação.
Nessa narrativa, muitos episódios e personagens, mostrados de forma leve ou dramática, com humor, mesclando ficção e a luta por causas democráticas, pelo voto e direito femininos, pelo respeito à individualidade e à cidadania. Chile e toda a América Latina, capital e regiões afastadas, famílias constituídas e afetivas, vocações e paixões, erros e acertos, um mosaico e espelho da nossa constituição americana.
Uma leitura leve e surpreendente, que nos toma a atenção, mostrada em cartas para Camilo, personalidade destinatário e mistério aos poucos revelado, alvo de toda a narrativa.” Sebastião Aimone
“Obrigada grupo querido! Não obstante a minha limitada participação, adorei as perspectivas e comentários. Muito gratificante ouvir e partilhar uma obra, na minha opinião, tão forte, dosada com a brevidade, amplitude e radicalidade dos temas.
Dois pontos (não ditos) complemento hoje:
*Sobre a relação/paixão da Violeta e o seu formato da “espera”, claramente violenta (tão oposta à espera pacífica do Zé dos Ais/obra anterior)
*Sua ruptura abrindo o horizonte para uma Vida interessante/Vida banal, uma vida normal.
Amar e desamar exige muita coragem, assim acredito.” Maria do Carmo Nunes
“Em muitas passagens tive que fechar o livro e me entregar às reflexões que surgiam automaticamente. Confesso que mexeu comigo. Fiquei muito impressionada com algumas personagens e o quanto estavam à frente do seu tempo, a própria Violeta, Teresa Ribas e miss Taylor. Obrigada Terezinha pela indicação e pela oportunidade de conhecer esta autora maravilhosa. Compartilho aqui duas reflexões que achei brilhantes:
* As feministas também propunham o direito ao aborto e ao divórcio, que a igreja católica condena nos termos mais radicais. Naquela época ainda existia inferno. Teresa dizia que, se os homens parissem e tivessem que aguentar um marido, o aborto e o divórcio seriam sacramentos. Achava que os homens não tem direito a opinar, muito menos legislar, sobre o corpo feminino, porque não conhecem a fadiga de gestar, a dor de parir e a escravidão da eterna maternidade.” p.111
* A viagem da vida é feita de longos trechos tediosos, passo a passo, dia a dia, sem que aconteça nada de impactante, mas a memória é feita de acontecimentos inesperados que marcam o trajeto. São esses que vale a pena contar.” p.120. Janete Magalhães
“Há um tempo para viver e um tempo para morrer. Entre ambos há tempo para recordar.” Violeta, de Isabel Allende, pág. 312. Uma saga familiar, no decorrer de 100 anos, em que se misturam pessoas da mesma família biológica e também parentes afetivos, fatos históricos, pitadas de humor, partilha, amor. E também tristezas, perdas, injustiças, violência. Uma narrativa que envolve e prende o leitor. A mim, fez querer mais livros da autora. Agradeço à Terezinha a indicação e a condução do nosso encontro, aos colegas pela partilha e à AEA pelo patrocínio. Rita Possidônio
“Infelizmente não consegui participar do encontro. A obra Violeta é um convite a refletirmos sobre as grandes transformações que o mundo passou principalmente no papel das mulheres nesse contexto. Admiro muito as mulheres que foram desbravadoras nesse caminho. A escrita de Isabel Allende é muito fluida e envolvente tornando muito agradável nos transportamos para seu universo. Gostei muito da indicação.” Janaína Oliveira.
“O livro Violeta, de Isabel Allende, transita por temas que insistem em nos assombrar pela idas e vindas da evolução humana. Ainda não superarmos o receio de novas ditaduras, a realidade do machismo, a intolerância diante da diversidade e a insistência em manter tamanha desigualdade social. Quem sabe uma obra como essa nos impulsione para um mundo melhor!…” Marcos Eduardo
Para conhecer a autora:
https://www.youtube.com/watch?v=Iy2d9YiSlZU
https://www.youtube.com/watch?v=HCFfCh4q_II
Próximo livro e data prevista para a discussão:
58º. – UM RIO SEM FIM, da autora amazonense (afro-indígena): Veronilde S Pereira- a voz pioneira da literatura de ficção afro-indígena no Brasil
Data prevista para o próximo encontro: 28 DE MAIO de 2026
Os encontros são realizados nas últimas quintas-feiras de cada mês, de 20h às 22h.
O tema do clube de leitura “LER PARA TECER AEA-MG” é a leitura de livros de romances escritos por autoras brasileiras e também estrangeiras.
“Um clube de leitura é um grupo de pessoas que leem o mesmo livro e se reúnem, de tempos em tempos, para conversar sobre cada uma das obras lidas.”

AEAMG