LER PARA TECER AEA-MG Release referente ao 55º. Encontro

No dia 26 de fevereiro de 2026, foi realizado, por videoconferência, o quinquagésimo-quinto encontro do CLUBE DE LEITURA LER PARA TECER AEA-MG. 

 O livro discutido nesse encontro foi A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA

DE BATATA. Autoras: Mary Ann Shaffer e Annie Barrows ( estadunidenses)

Sobre A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA

A sociedade literária e a torta de casca de batata conta a história de Juliet Ashton, uma escritora em busca de um tema para seu próximo livro. Ela acaba encontrando-o na carta de um desconhecido de Guernsey, Dawsey Adams, que entra em contato com a jornalista para fazer uma consulta bibliográfica. Começa aí uma intensa troca de cartas a partir da qual é possível identificar o gosto literário de cada um e o impacto transformador que a guerra teve na vida de todos. As correspondências despertam o interesse de Juliet sobre a distante localidade e narram o envolvimento dos moradores no clube de leituras – a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata –, além de servirem de ponto de partida para o próximo livro da escritora britânica.

O clube, criado antes de existir de fato, foi formado de improviso, como um álibi para proteger habitantes da ilha dos alemães. O que nenhum dos integrantes da Sociedade imaginava era que os encontros pudessem aproximar os vizinhos, trazer consolo e esperança e, principalmente, auxiliar a manter, na medida do possível, a mente sã. As reflexões e as discussões a respeito das obras os livraram dos pensamentos sobre as dificuldades que enfrentavam e ainda serviram para aproximar pessoas de classes e interesses tão díspares. 

Instigada pela força dos depoimentos, a jornalista decide visitar Guernsey, onde a convivência com as pessoas que conheceu por cartas e a descoberta sobre as experiências dos ilhéus lhe dão uma nova perspectiva. A viagem proporciona à escritora mais do que material para seu livro. Guernsey oferece a chance de recomeçar após a Guerra, fazer amizades sinceras e encontrar o amor – em suas diversas formas. O que ela encontra por lá, e as relações que trava, mudam sua vida para sempre.

Em 2018, o livro ganha versão para cinema (Netflix) estrelada por Lily James, Michiel Huisman e Mathew Goode.

As autoras: Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

Mary Ann Shaffer (1934–2008) foi uma escritora, bibliotecária e livreira americana, mais conhecida por escrever o romance best-seller A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata. Ela faleceu antes de ver seu único livro publicado, que foi finalizado por sua sobrinha, Annie Barrows, e tornou-se um sucesso mundial. A ideia do livro surgiu após uma visita inesperada à ilha de Guernsey, onde ficou presa por causa de um nevoeiro, em 1976. Sua sobrinha, a autora  Annie Barrows, ajudou a finalizar o manuscrito para publicação. 

Annie Barrows (nasceu em 1962 em San Diego , Califórnia) é uma editora e autora americana, casada, tem duas filhas. Barrows frequentou a UC Berkeley , inicialmente com especialização em Literatura Inglesa , mas graduando-se em História Medieval . Ela trabalhou como editora,  e depois decidiu dedicar-se à escrita. Após se matricular em uma escola de escrita, ela começou a escrever livros para adultos.Ela é mais conhecida pela série de livros infantis Ivy and Bean , mas também escreveu vários outros livros para leitores adultos. Com sua tia Mary Ann Shaffer, ela coescreveu The Guernsey Literary And Potato Peel Pie SocietyA Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, em 2008.

Trechos:

“Havia tanta coisa que queríamos saber durante a guerra, mas não podíamos receber nem cartas nem jornais da Inglaterra – ou de qualquer outro lugar. Em 1942, os alemães recolheram todos os rádios – é claro que havia alguns escondidos, que ouvíamos em segredo, mas, se você fosse apanhado ouvindo o rádio, podia ser mandado para o campo de concentração. É por isso que não compreendemos muitas coisas que lemos agora.” p. 40-41

“Depois do Dia D, os alemães não puderam mais enviar navios com suprimentos da França por causa dos caças dos Aliados. Então, eles finalmente ficaram tão famintos quanto nós – e começaram a matar cães e gatos para ter o que comer. Eles invadiam nossos quintais, desencavavam batatas – e comiam até as pretas e podres. Quatro soldados morreram porque comeram uma erva venenosa achando que era salsa.”p.77

“Os alemães davam aos trabalhadores Todt meio dia de folga por semana – aos domingos. Esse era o dia em que os engenheiros sanitários alemães esvaziavam todo o esgoto no oceano, por meio de um grande cano. Os peixes se juntavam para comer as sobras, e os trabalhadores Todt ficavam no meio de toda aquela imundície, que ia até o peito deles, tentando pegar os peixes com as mãos para comê-los.

Não há flores nem trepadeiras que possam cobrir lembranças como essas.” p.121

Obs: os trechos acima foram copiados do livro: A Sociedade Literária e a torta de casca de batata. Mary Ann Shaffer e Annie Barrows. Trad. Léa Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Rocco, 2009

Comentários de alguns leitores do Clube de Leitura:

“Com um título instigante, esse livro é uma pérola na celebração da literatura como atividade essencial à vida. É também uma fonte de informações históricas sobre os horrores da guerra e seus efeitos nas pessoas comuns. Um clube literário criado de improviso como desculpa para a transgressão ao toque de recolher passa a ser o refúgio emocional daquelas pessoas que sofriam com a ocupação alemã. Ele criou vínculos importantes entre vizinhos que mal se conheciam e alcançou a escritora londrina que andava perdida de si mesma. A forma como a autora consegue nos contar toda a história através das cartas, bilhetes e telegramas trocados entre os personagens é genial. O livro nos faz rir e chorar na mesma medida, com personagens muito bem construídos e cheios de humanidade. Amei a leitura, bem como poder conversar sobre ela no nosso querido Clube de Leitura da AEA.” (Luciane Madrid)

“Um livro que expõe o melhor e o pior da humanidade: os horrores da guerra e a solidariedade.  Pessoas tão diversas se unem e formam um grupo. Uma “família “, que, em outras circunstâncias,  seria improvável.  O livro é de uma leveza incomum. Seus inúmeros personagens, através de cartas, relatam situações, ora cômicas, ora absurdamente trágicas.  E o desfecho romântico deixa um toque de esperança. Gostei muito e recomendo, assim como o filme.  Agradeço as indicações e os comentários, sempre muito interessantes.  Participar deste grupo é um privilégio.” (Rita Ponciano)

“Boa noite e obrigado pelas preciosas contribuições para essa agradável leitura! Obrigado, Terezinha,  por essa indicação que nos leva a tantos outros caminhos, como a obra de Victor Hugo, as irmãs Brontë, livros epistolares,  correspondências, filmes envolvendo troca de cartas.” (Sebastião Aimone)

“Boa noite e muito obrigada a todos pela riqueza do nosso encontro!!!” (Raquel Pereira Campos)

“Obrigada a todos pelas riquíssimas partilhas.” (Maria do Carmo Nunes)

Resenha literária:

https://www.janelaliteraria.com.br/2019/07/a-sociedade-literaria-e-a-torta-de-casca-de-batata.html

Próximo livro e data prevista para a discussão:

 56º. – O VOO DA GUARÁ VERMELHA, da autora brasileira, Maria Valéria Rezende

Data prevista para o próximo encontro:  26 de março de 2026

Os encontros são realizados nas últimas quintas-feiras de cada mês, de 20h às 22h. 

O tema do  clube de leitura “LER PARA TECER AEA-MG” é a leitura de livros de romances  escritos por autoras brasileiras e também estrangeiras.

“Um clube de leitura é um grupo de pessoas que leem o mesmo livro e se reúnem, de tempos em tempos, para conversar sobre cada uma das obras lidas.”

AEAMG